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As protagonistas de uma geração empoderada

Heslaine Vieira, Ana Hikari, Daphne Bozaski, Manoela Aliperti e Gabriela Medvedovski soltam o verbo e falam sobre polêmicas envolvendo feminismo, racismo e padrões de beleza

Por Tatiana Ferreira | Fotos Raquel Cunha/Globo | Produção de moda Jackie Britto

Carinho, admiração, respeito e amizade. Estes são os ingredientes principais para a química perfeita entre Gabriela Medvedovski, 25 anos, Manoela Aliperti, 21, Ana Hikari, 25, Heslaine Vieira, 22, e Daphne Bozaski, 24, protagonistas de Malhação- Viva a Diferença (Globo). Entrosadas, logo no primeiro momento é possível notar que as afinidades vão além dos bastidores. “Nossa relação é de cumplicidade. Quando tenho qualquer questão, é para elas que recorro. É meio aquilo que acontece na TV. Estamos muito unidas. Somos o suporte uma da outra”, garante Gabriela. Cada uma de um canto do país, com exceção de Heslaine, que, apesar de mineira, vive no Rio de Janeiro há anos, as meninas moram todas em um mesmo prédio, na Barra da Tijuca, zona oeste carioca. E quando não estão trabalhando o que fazem? Curtem a folga juntas! “Não nos desgrudamos (risos). Estamos muito próximas e adoramos curtir uma praia”, diz Ana. Cheias de personalidade, emoção e opiniões diversas, o quinteto logo mostra a que veio. Sem papas na língua, falam sobre racismo, feminismo e levantam a bandeira quando o assunto é empoderamento feminino. “Nossas diferenças nos complementam em todas as áreas”, garante Gabriela.

 
O quinteto garante que a amizade vai além dos bastidores

Todas já se conheciam. Foi “amor à primeira vista”? 
Daphne – A gente se conhecia de vista talvez, mas nunca tínhamos trabalhado juntas. O contato mais próximo aconteceu durante a preparação, em São Paulo, que durou um mês e meio. O mesmo período de estrear a novela.  
Ana – Tivemos sorte porque o elenco inteiro só tem pessoas incríveis e todos construíram uma relação de muita parceria. Isso se refletiu no nosso dia a dia e na rotina de trabalho. E ainda tem o fator de morar meio que todo mundo junto. Estamos sempre nos ajudando em todos os sentidos. 

Assim como em Malhação, cada uma de vocês têm uma personalidade diferente. Das cinco, quem tem o temperamento mais forte?
Gabriela – Todas temos personalidade forte, mas cada uma de um jeito diferente. Difícil dizer. Mas o legal de tudo, é que juntas formamos uma unidade muito forte.

Cada uma com seus conflitos. Quais são as principais diferenças entre vocês?
Gabriela – Podemos começar pelo modo de se vestir e gosto musical. Mas isso é o que nos une e encanta. A gente se olha com admiração porque cada uma de nós tem uma coisa especial e muito bonita e conseguimos ver isso uma na outra. Isso é o mais bacana da nossa relação (ela se emociona)

E como está a experiência de morarem sozinhas?
Manoela – É a primeira vez que moro sozinha no Rio. Está sendo enriquecedor para o meu amadurecimento. 
Gabriela – Nunca tinha morado sozinha mesmo, mas já havia saído da casa dos meus pais. Morei nos Estados Unidos por dois meses para estudar e um ano em Israel. Fiz trabalho voluntário para a prefeitura, onde capinava, pintava... Estou aprendendo muito.
Daphne – Já dividi um apartamento com duas amigas, mas sozinha também é a primeira vez. Não conhecia o Rio, sou de São Paulo, mas cresci em Curitiba e está sendo muito gostoso. Se a coisa apertar, é só descer uns andares que as tenho perto. Facilita bastante a minha vida (risos).

 
Morando 
no mesmo prédio desde fevereiro, elas criaram uma grande família
 
Uma das questões abordadas na história é o empoderamento feminino. De que maneira o assunto as afetam?  
Ana – Da melhor possível. É essencial falar disso. É um fato esta desigualdade de gênero que infelizmente existe, mas estamos com muito orgulho de fazer parte desse trabalho porque a potência é transformadora. É trazer uma consciência adormecida até pouco tempo. 
Heslaine – É um crescimento pessoal. Complementando o que a Ana falou, porque ela é minha rainha maior no assunto feminismo, tudo que tenho dúvida pergunto para ela. Estou aprendendo com estas meninas, com o empoderamento feminino e o quão poderosas nós podemos ser a fim de quebrar estas barreiras. 

Gabriela, um dos conflitos de sua personagem foi arriscar a saúde tomando remédios para emagrecer. Já teve problemas com excesso de peso? 
Isso acontece pra caramba. Conheço pessoas que morreram porque tomaram remédios para emagrecer. Sim! Já tive. Tento acreditar que nós temos de criar os nossos padrões pessoais naquilo que é bonito pra gente e não para sociedade. Isso é muito difícil! É um exercício constante. É um processo que tem que entender para poder aceitar. Vivemos nos comparando e cada vez mais estou tentando me aceitar e a Keyla me ajuda nisso. 


Cada uma em seu universo, as protagonistas garantem viver uma fase de grande aprendizado 

Heslaine, ainda nos dias sofre com racismo? 
Não só pelo racismo. Diferente da Gabi, sofria porque era magra demais. Era chamada de vassoura por causa do cabelo crespo. Ainda bem que nunca me importei com padrões. Quanto ao racismo, vivo todos os dias. Outro dia mesmo fui revistada no aeroporto na frente de todo mundo. Na minha mochila só encontraram chocolates e lenços umedecidos. Mas minha mãe nunca deixou que me abalasse. Nunca quis alisar o cabelo. Desde criança sempre fui feminista e não sabia. Sempre quis ser o que eu fui. 

Qual é a mensagem que esperam transmitir com este trabalho?   
Daphne – Dar voz à diversidade. É isso que queremos com nosso trabalho em Malhação. Falar de cinco meninas de universos diferentes. Cada uma com sua personalidade. É uma satisfação pessoal imensurável tocar nestes assuntos tão importantes.  
manoela - A juventude está sendo impactada por grandes transformações. Uma delas é esta discussão que está vindo à tona com o empoderamento feminino. Somos cinco meninas, mas a grande protagonista é a diversidade


10/08/2017 - 16:14

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